JAGUNÇOS QUEIMAM CASAS DE COLONOS NO AMAZONAS

Um mandado judicial para desalojar 300 famílias de colonos de Manacapuru, a 80 quilômetros de Manaus (AM), foi cumprido não por oficiais de Justiça e soldados da Polícia Militar, como manda a lei, mas por jagunços contratados pelo proprietário de duas fazendas-- Amazonas e Manacapuru--, que reivindicava a posse de um área de 24 mil hectares, na estrada Manacapuru-Novo Airão. A violência dos jagunços foi devastadora. Sobraram apenas cinza das casas dos colonos e muitos delese, temendo ser mortos, fugiram com a família para o meio da mata. Os jagunços jogaram gasolina nas casas e depois atearam fogo. A decisão de despejo foi tomada de surpresa pelo juiz Norton César Marques, do Fórum de Manacapuru, apesar de tramitar na Justiça Federal ação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) que anula os títulos fundiários das duas fazendas, pertencentes ao mesmo grupo econômico. Segundo o superintendente regional do INCRA, Giovani de Araújo Silva, os 24 mil hectares foram doados e titulados ilegalmente há 25 anos pela prefeitura. "O juiz de Manacapuru não tem competência legal para tratar de um assunto que diz respeito à Justiça Federal", afirmou. O INCRA vai ingressar hoje com ação pedindo ao Tribunal de Justiça do Amazonas para cassar a liminar concedida pelo juiz e garantir o retorno dos colonos às margens da estrada (JB).