Com o compromisso oficial de cumprir exigências específicas da guerrilha zapatista e anúncio de um eventual estudo no Congresso das reivindicações democráticas, concluiu-se ontem, em San Cristóbal de Las Casas, o diálogo de paz entre o governo e o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), iniciado em 21 de fevereiro, para pôr fim à rebelião de Chiapas. O bispo de San Cristóbal e mediador das negociações, Samuel Ruiz, disse que o diálogo terminou "satisfatoriamente". Segundo ele, "é possível" que a paz se assine antes de um mês, depois que as partes realizarem as consultas pertinentes para a aceitação de uma lista de propostas feitas pelo comissionado aos rebeldes. Numa lista de 34 pontos elaborada pelo EZLN ao governo, figuram exigências relacionadas com educação, alimentação, saúde, recursos econômicos, indenização a vítimas da guerra, distribuição de terras, segurança pessoal dos rebeldes, respeito a culturas e tradições, assim como a democracia. Não houve acordo definitivo sobre a exigência zapatista por reformas eleitorais, mas o assunto deve ser estudado no Congresso. O governo deverá lançar este ano um amplo programa para construir estradas e clínicas e para estender a rede de serviços de eletricidade às comunidades de Chiapas, onde surgiu a revolta no último dia 1o. de janeiro. O governo prometeu melhorias de infra-estrutura, um plano de salubridade para as regiões habitadas por indígenas e um censo agrário. O governo admitiu, também, a possibilidade de uma reforma agrária em Chiapas (JC) (FSP).