A economista Maria da Conceição Tavares, presidente do Instituto dos Economistas do Rio de Janeiro (IERJ), qualificou ontem o plano econômico em vigor como "maquiavélico" e, tecnicamente, Imelhorável". Ela disse que a equipe econômica elaborou o "anti-Cruzado" ou o "Cruzado dos ricos", impedindo que os pobres e a classe média baixa possam, sequer, saber a perda que tiveram nos salários. A "engenhosidade" do plano, segundo a economista, está centrada em dois artigos: o primeiro, que instituiu a Unidade Real de Valor (URV) exclusivamente como padrão de valor monetário, e o 37o., que extinguiu o Índice de Reajuste do Salário-Mínimo (IRSM). "O plano nos impôs uma perda cavalar que não tem como ser medida", afirmou. O plano, na análise da presidente do IERJ, conseguiu colocar em vigor uma moeda que, de fato, não nasceu. "É uma realidade virtual", disse. Com o plano, a distribuição de renda brasileira "será consagrada como a pior do mundo". Maria da Conceição avalia que esta semana será de uma "queda-de-braço" entre o Banco Central e o mercado financeiro. Na avaliação da economista, a MP 434, que dispõe sobre a URV e o real, a nova moeda, deixa claro que o dia "D" para adoção da nova moeda será, no mínimo, de 45 dias-- prazo para que as instituições financeiras se adaptem ao novo indexador (FSP).