MEDIDAS FACILITAM HARMONIZAÇÃO ECONÔMICA NO MERCOSUL

O Brasil ficará em posição mais confortável no MERCOSUL para discutir a harmonização de políticas macroeconômicas num quadro de maior estabilidade prevista com a Unidade Real de Valor (URV), raciocina o chefe do Departamento de Integração do Itamaraty, Renato Marques, ex-secretário de Comércio Exterior. O governo brasileiro vem enfrentando, principalmente do lado argentino, críticas à sua instabilidade econômica e às altas taxas de inflação, no âmbito do subgrupo 10 do MERCOSUL, que trata da coordenação de políticas macroeconômicas. O governo argentino tem demonstrado ao mesmo tempo, através do embaixador Alieto Guadagni, interesse na aprovação das medidas econômicas do ministro Fernando Henrique Cardoso (Fazenda), porque, conforme diz, "qualquer estabilidade na política econômica brasileira terá efeito imediato sobre o crescimento real das exportações argentinas ao Brasil". Um funcionário do governo observa ainda que é cedo para uma avaliação das implicações da URV sobre a harmonização de políticas, mas lembra que a sugestão brasileira de uma "banda" cambial no MERCOSUL poderá ser implementada mais facilmente. A sugestão partiu do Ministério da Fazenda, no ano passado, e foi bem aceita pelos demais países. Prevê que qualquer país que proceda a uma desvalorização cambial acima de um determinado percentual poderá desencadear medidas semelhantes por parte dos demais membros do MERCOSUL. O objetivo é evitar que a desvalorização cambial sejá utilizada como forma de aumento de competitividade. Essa "banda" está em estudo e poderá ser utilizada no período que precede a harmonização propriamente dita de políticas macroeconômicas. Entre os empresários que mantêm negócios com os países do MERCOSUL, a opinião é de consenso: a relação da URV com o dólar contribuirá para aproximar a política cambial dos dois principais parceiros do Mercado Comum do Sul. "O valor de referência da moeda brasileira e argentina será o mesmo, o que deverá gerar uma pacificação nas relações de comércio entre os dois países", prevê o presidente da "trading" Imexbra, Osvaldo Sicardi (GM).