A REPERCUSSÃO DO PLANO DE ESTABILIZAÇÃO ECONÔMICA

Empresários, líderes sindicais, governadores e políticos opinaram ontem sobre o plano de estabilização econômica do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, que introduziu a Unidade Real de Valor (URV). A seguir, alguns comentários: Carlos Eduardo Moreira Ferreira (presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo-FIESP)-- "O plano deve ser apoiado porque a inflação é o pior mal da sociedade". Abram Szajman (presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo-FCESP)-- "O plano tem indicações boas, tem boas chances de estabilizar a economia. Será conveniente aderir a ele". Emerson Kapaz (coordenador do Pensamento Nacional das Bases Empresariais- PNBE)-- "É um plano com grandes chances de dar certo. Temos em mãos uma chance inédita de combater de vez o processo inflacionário". Guilherme Afif Domingues (presidente da Confederação Nacional das Associações Comerciais)-- "O plano acaba com o déficit conjuntural, mas não com o estrutural. O déficit estrutural só vai ser extinto com medidas aprovadas na revisão constitucional". Pedro Camargo Neto (presidente da Sociedade Rural Brasileira-SRB)-- "Estou otimista. O plano começou com credibilidade". Wilson Thiesen (presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras- OCB)-- "A maior preocupação da agricultura é com relação ao câmbio. Se ficar defasado em relação à URV, os contratos de exportação, principalmente da soja, serão prejudicados". Mário Amato (vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria-CNI)- - "Estou perplexo com a indenização extra de 50% do salário para as demissões. A medida atrapalha ao invés de ajudar os assalariados, pois aumenta o ônus sobre as empresas e desestimula a fabricação de produtos com uso intensivo de mão-de-obra". Jáder Barbalho (governador do Pará-PMDB)-- "Nunca um governo teve tantas condições para executar um plano econômico. São excelentes as condições que o Congresso ofereceu ao governo". Alceu Collares (governador do Rio Grande do Sul-PDT)-- "Como em todos os outros planos, desde o Cruzado, eles pegaram novamente o trabalhador para bode expiatório. O salário é que paga o que está acontecendo neste país". Vilson Kleinubing (governador de Santa Catarina-PFL)-- "Se os empresários subirem os preços no mesmo ritmo dos salários, o país entra em recessão e de outra crise o Brasil não sai". Leonel Brizola (governador do Rio de Janeiro-PDT)-- "Outra vez trata-se de soluções artificiais, simplesmente financeiras, que não atingem a essência do processo inflacionário. É um plano para beneficiar as grandes empresas, as multinacionais e os bancos às custas da população trabalhadora". Luiz Antônio Fleury (governador de São Paulo-PMDB)-- "Preocupa-me o modo como os preços serão tratados. O governo precisa tomar medidas para conter o aumento injustificado de alguns preços nos últimos dias". Francisco Canindé Pegado (presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores-CGT)-- "A proposta de conversão salarial pela média e sem a inflação de fevereiro não permite outra interpretação a não ser a de que mostra que teremos grandes perdas salariais. Não podemos apoiar um plano feito assim". Jair Meneguelli (presidente da Central Única dos Trabalhadores-CUT)-- "O plano não tem nada que possa dar jeito na economia ou baixar a inflação. Há perdas salariais e seu único mérito é o de instituir uma política salarial com correção diária. Mas, e quando tivermos o real e inflação nesta nova moeda? Ficaremos sem política salarial alguma. Isso pode ser o caos". Luís Inácio Lula da Silva (presidente do PT)-- "O plano segue as orientações do Fundo Monetário Internacional (FMI) para estabilizar a moeda e resolver os problemas dos credores do Brasil. Se não há clima, neste momento, para uma greve geral no país, esse clima será criado com certeza dependendo do tamanho do prejuízo que os trabalhadores vão ter" (FSP) (O ESP) (GM).