A conversão dos salários pela média dos últimos quatro meses impede os trabalhadores de recuperar perdas salariais estimadas entre 27% e 39%, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio- Econômicos (DIEESE). Além de provocar perdas salariais pelos critérios do movimento sindical, a medida provisória que instituiu a Unidade Real de Valor (URV) foi duramente criticada pelos técnicos e dirigentes do DIEESE por revogar todas as cláusulas econômicas dos acordos coletivos em vigor, além da política salarial. "O governo fala em livre negociação, mas altera todos os contratos trabalhistas em vigor, medida que não tomou com relação a nenhum outro preço", ponderou Antônio Correa do Prado, coordenador de produção técnica do DIEESE, criticando o fato de apenas os salários estarem sofrendo essa "arbitrária" intervenção governamental. Esse cálculo das perdas salariais compara o valor do salário em URV no dia 1o. de março (hoje) e o valor do salário do primeiro dia da data-base de um total de 66 categorias pesquisadas pela instituição. Perdem mais as categorias com data-base nos meses de março, julho e novembro e estão em situação um pouco melhor as categorias com data-base nos meses de fevereiro, junho e outubro. As perdas, porém, variam muito de acordo com a política salarial que estava em vigor para cada categoria. Conforme o DIEESE, 30% das categorias terão redução dos salários em URV (JB).