IGREJA EDITA SETE MIL PÁGINAS DA TORTURA NO PAÍS

Custou cerca de US$300 mil ao Conselho Mundial de Igrejas o projeto Brasil: Nunca Mais, da Arquidiocese de São Paulo, o levantamento sobre a repressão no Brasil (1964 a 1979) durante a didatura militar, e que virou livro há três anos. O livro será completado agora com a versão integral de 12 volumes contendo cerca de sete mil páginas. Trinta e cinco pessoas trabalharam clandestinamente no projeto, a começar por advogados que fizeram cópias de um milhão de páginas de processos na Justiça Militar, em Brasília. Os dados finais, conservados pelos militares, mostram que 40 mil pessoas, entre investigadores de polícia, policiais militares, oficiais das Forças Armadas, escrivães e juízes estiveram diretamente envolvidas na repressão, usando 285 tipos de tortura. Segundo o livro, foram abrangidos pela repressão no Brasil, entre as que foram indiciadas, denunciadas e condenadas, ou serviram como declarantes ou testemunhas, 17.420 pessoas, e 1.843 denunciaram perante a Justiça terem sido torturados. O projeto "Brasil: Nunca Mais" foi coordenado pelo pastor presbiteriano e assessor do cardeal arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, Jaime Wright (JB).