O poder do marido da ministra dos Transportes, Margarida Coimbra, chega ao ponto de influir na demissão e contratação de pessoal em cargos de confiança. Em 31 de janeiro último, o diretor de Engenharia Rodoviária do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), Deusedir Martins, foi afastado da função por interferência de Carlos Henrique Siqueira, o marido da ministra. Para o posto aberto com o afastamento de Deusedir, Siqueira quer nomear sua ex-mulher Maria das Graças, engenheira do DNER há 15 anos. O diretor-geral do órgão, Fabiano Vivacqua, afirma que o afastamento de Deusedir foi por "questões de rotina". Mas, segundo a denúncia encaminhada pelo deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) à Comissão que combate a corrupção no Executivo, Deusedir foi exonerado por se recusar a colaborar num esquema montado pelo marido da ministra para privilegiar a Noronha Engenharia-- empresa da qual Siqueira é diretor-- dentro do DNER. A ministra Margarida Coimbra disse que seu marido agiu de "forma aberta e transparente" ao pedir, por escrito, ao DNER mais rapidez na liberação de CR$100 milhões para a Noronha Engenharia. Siqueira confirmou o lobby e afirmou: "Sempre fiz isso e continuarei fazendo". O presidente Itamar Franco convocou a ministra Margarida Coimbra para explicar as ações do seu marido. Ela poderá ser demitida (O Globo) (JB).