URV NÃO TRARÁ MUDANÇAS NA POLÍTICA CAMBIAL

A Unidade Real de Valor (URV) passa a vigorar na economia brasileira, a partir do próximo dia 1o. de março, com as características de moeda, embora detenha por enquanto apenas o conceito de unidade de conta, com seu valor sendo fixado diariamente pelo Banco Central, com base nas informações captadas por uma cesta de índices. Essa cesta deverá refletir a variação média de três índices: Índice de Preços ao Consumidor Amplo-Especial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IPCA-E/IBGE); Índice Geral de Preços do Mercado, da Fundação Getúlio Vargas (IGP-M/FGV); e Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC/FIPE). Todo final de tarde, depois do fechamento dos mercados e já tendo em mão as informações sobre a evolução dos preços, o BC vai definir o valor da URV que passará a vigorar no dia seguinte. Esse valor corresponderá à cotação de venda do dólar no mercado comercial, na abertura do mercado. O compromisso do governo é de que a URV vai refletir a média daqueles três índices, dentro de uma banda, tendo como piso a variação de índice mais baixo e, como teto, a variação de índice mais alta. Nesta segunda fase do plano de estabilização não haverá mudanças na política cambial. O câmbio continuará sendo fixado pelo BC. A política monetária, conforme acena o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, continuará austera para tentar conter a expansão da demanda, um dos grandes receios do governo. No mercado financeiro não haverá nenhuma alteração por enquanto. As regras dos contratos, tanto velhos quanto novos, continuam as mesmas, acompanhando os índices de preços que já são praticados. A nova moeda que será criada na terceira fase do programa de estabilização, o "real", deverá se lastreada não só com as reservas cambiais, mas também com ativos do setor público, como ações de empresas estatais, segundo o ministro da Fazenda. O "real" terá um prazo de até um ano para existir, e deverá ser criado dentro de 60 a 90 dias. A intenção é ampliar o valor do lastro por duas razões. Uma delas é torná-lo suficiente para cobrir o valor provável da base monetária, mesmo depois que ela cresça com a monetização que ocorrerá com a inflação baixa, assim como o valor de parte dos ativos financeiros (o chamado M4). A segunda razão é que, dessa forma, a moeda terá maior credibilidade, facilitando a estabilização (GM).