COMBATE À FOME CARECE DE VERBAS

O programa de combate à fome e à miséria vai precisar de pelo menos US$3 bilhões-- o dobro do ano passado-- para manter e ampliar o atendimento à população pobre, segundo estimou ontem dom Mauro Morelli, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA). Uma das metas do órgão para este ano é a mudança da política de estoques de alimentos do governo, para evitar a queima de produtos estragados. Com novo slogan, Contra a fome, comida. Contra a miséria, trabalho, que substitui o apelo
78242 Fome: não dá para esquecer"", o CONSEA pretende ainda a concessão de um espaço diário de cinco minutos na Voz do Brasil para o programa "Voz da Cidadania", na tentativa de consolidar suas metas. Reunidos nos últimos dois dias no Palácio do Planalto, o Conselho recebeu mensagem de apoio do presidente Itamar Franco. "O Brasil tem a felicidade de viver a única revolução verdadeiramente humana e cristã, que é a revolução da boa vontade, da ajuda mútua, da tolerância, da simpatia e da esperança", escreveu o presidente. O CONSEA fez um balanço otimista do programa, mas com algumas ressalvas: "A fome pode cessar com rapidez, mas a erradicação da miséria é longa", admitiu dom Mauro. Desde abril do ano passado, quando foi implantado, 10 milhões de pessoas já foram atendidas. Segundo a assistente social Anna Maria Peliano, do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), será feito um levantamento do estoque de grãos do governo e o controle do prazo de validade. Caso não seja levado a leilão e nem comercializado pelo governo, o alimento será distribuído à população carente. Na reunião, o ministro do Planejamento, Alexis Stepanenko, anunciou que determinará aos bancos oficiais a abertura de financiamento para a instalação de pequenas e micros empresas. Com isso, seriam gerados novos empregos. Em entrevista coletiva, após o encontro, a assessora especial da Presidência da República, Denise Paiva, dom Mauro Morelli e Anna Peliano, revelaram ainda que o governo multiplicou a distribuição de leite. Passará de 36 milhões de litros para 594 milhões de litros. Pelos cálculos desse grupo, do qual faz parte o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, coordenador do programa, o governo gastou até agora US$1,58 bilhão com a distribuição de merenda escolar, o atendimento a crianças e gestantes, a distribuição emergencial de alimentos e assentamentos rurais (JC) (JB).