ADIADA A ENTRADA EM VIGOR DO FUNDO SOCIAL DE EMERGÊNCIA

A desmobilização da bancada governista impediu que a promulgação do Fundo Social de Emergência (FSE) fosse votada ontem pelo Congresso Revisor. O Fundo é considerado essencial para o ajuste pretendido pelo plano de estabilização econômica do ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Com poucos parlamentares em plenário, os governistas apresentaram requerimento para a promulgação ser votada no próximo dia 1o. de março. O presidente Itamar Franco, na sua primeira interferência nas negociações em torno do plano, prometeu ontem ao presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, não impor nenhuma perda nos salários dos trabalhadores na hora da conversão para a Unidade Real de Valor (URV). O sindicalista, porém, disse não estar tranquIlo com a promessa, pois, em encontro com o ministro da Fazenda, foi informado de que a conversão dos salários será feita pela média dos últimos quatro meses. Em conversas com deputados, também ontem, o ministro da Fazenda admitiu que os funcionários públicos federais sairão perdendo na conversão, a ser anunciada oficialmente no próximo dia 28. De acordo com a política salarial em vigor, a categoria deveria ter em março um aumento equivalente a 50% do Índice de Reajuste do Salário-Mínimo (IRSM) do bimestre (estimado em quase 100%), isto é, um reajuste entre 45% e 50%. Com a URV, contudo, os servidores vão receber apenas 20% ou 25%. O ministro do Trabalho, Walter Barelli, ameaça deixar o governo caso não consiga convencer Fernando Henrique Cardoso a alterar a minuta de medida provisória da URV. Barelli quer regras iguais para a conversão de preços e salários. Insiste que o mínimo seja superior a US$70 no momento da conversão para URV. O plano FHC pretende elevar os juros. As taxas reais-- descontada a inflação-- estão na faixa dos 25% ao ano atualmente. O assessor especial da Fazenda, Edmar Bacha, disse, ontem, que será necessária uma política de juros "austera" para manter a confiabilidade na URV. Depois de criar o Real-- a nova moeda que marca a terceira fase do plano--, o governo pretende praticar juros na faixa de 6% a 7% reais ao ano. Bacha garantiu, porém, que é compromisso do governo não mexer no sistema financeiro, por isso a poupança continuará a ser corrigida pela Taxa Referencial de Juros (TR) e os impostos pela Unidade Fiscal de Referência (Ufir). A`s vésperas da implantação da URV, os preços vêm subindo em ritmo descontrolado, a ponto de reverter a tendência de queda da inflação, inicialmente prevista para fevereiro. No Rio de Janeiro, há aumentos de mais de 50% só nos últimos sete dias; em São Paulo, os preços da cesta básica voltaram a subir e já registram uma inflação acumulada de 58% (FSP) (O ESP) (JB) (O Globo).