O governo do Mato Grosso do Sul pediu ontem ao Itamaraty a intervenção das Forças Armadas na fronteira do estado com o Paraguai, para auxiliar a polícia florestal local no combate à pesca predatória, que vem ocorrendo com intensidade em Nabileque, uma das áreas mais ricas em fauna e flora do Pantanal. A pesca ilegal vem sendo praticada por pescadores paraguaios e a prisão de um grupo de sete pessoas, no último fim de semana, está provocando conflitos diplomáticos. O cônsul do Paraguai em Porto Murtinho-- município onde está localizado Nabileque--, Norberto Marinigo, acusa a polícia florestal de "atropelar a soberania paraguaia ao invadir nosso território para forjar o flagrante". Ao cessar a pressão à caça ao jacaré do Pantanal, a partir de 1992, com a pele do réptil perdendo valor no mercado exterior, os "coureiros", que eram na maioria paraguaios, passaram a praticar a pesca criminosa nos rios que banham a planície. O roubo de gado também aumentou, com o couro e a carne sendo vendidos clandestinamente após serem salgados. Mas é a pesca, hoje, a principal atividade desses grupos, alguns manipulados por brasileiros residentes na fronteira. Os pescadores paraguaios usam redes e malhas, proibidos em Mato Grosso do Sul, e estão tirando dos rios cerca de 15 toneladas/semana de surubins, jaús, cacharas e pintados. São acusados, também, de ameaçar fazendeiros e turistas (JB).