PAVILHÃO 9 DO CARANDIRU É REFORMADO

Um ano e quatro meses depois do massacre do Carandiru, nenhum dos policiais acusados pelo crime foi punido, mas o governo de São Paulo encontrou um jeito de tentar se redimir da tragédia patrocinada pelas tropas de choque da Polícia Militar: o Pavilhão 9, palco da chacina em que morreram 111 detentos, foi totalmente reformado e será transformado numa unidade modelo com um novo programa de socialização. As mudanças começam pelo visual: cores claras fora e dentro do prédio, celas com camas de alvenaria, banheiros individuais e elevador substituíram o cenário de guerra em que o local se transformou no dia dois de outubro de 1992. O que houve aqui é uma página negra já virada na história da Casa de
78180 Detenção. Ela jamais será esquecida, mas o Pavilhão 9 vai ser um
78180 modelo, afirma o diretor do presídio, Willo Rogério de Jesus. Os detentos que ocuparão as novas instalações serão escolhidos pelos critérios de primaridade, aptidão para o trabalho e bom comportamento. O prédio, de quatro andares, será o "pavilhão de trabalho" e terá espaço para prática de cultos religiosos. O Pavilhão 9 será um prêmio para os detentos que já estão aqui, diz Willo, que quer reverter a imagem do local da tragédia. O espaço será ocupado por detentos internos e sentenciados que cumprem penas em distritos. Com capacidade para 2.312 pessoas, distribuídas em celas adaptadas para abrigar de um a 12 detentos, nem de longe o prédio reformado lembra o cenário de violência policial. As novas instalações serão inauguradas até o final do mês (JB).