O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, dedicou o dia de ontem a conversações e explicações sobre a Unidade Real de Valor (URV), que debateu com dois ministros-- o do Trabalho, Walter Barelli, e o da Previdência Social, Sérgio Cutolo--, e com o presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, mas encerrou a jornada sem chegar a uma definição sobre a conversão dos salários à URV, exceto no que concerne à data de sua implantação. Se o Fundo Social de Emergência (FSE) for aprovado esta semana pelo Congresso Nacional, a conversão será imposta no dia 1o. de março, via medida provisória. Durante as conversações, Cardoso e seus interlocutores não conseguiram falar o mesmo idioma nem fazer cálculos pela mesma aritmética, ainda que o padrão monetário presente nos diálogos tenha sido o mesmo-- o dólar. Na reunião com Medeiros, o ministro defendeu a fixação do salário- mínimo em US$64, nível próximo daquele defendido pelo ministro da Previdência Social (US$65). Ambos-- Cardoso e Cutolo-- ficaram, porém, distantes da proposta do ministro Barelli, que, com base num estudo técnico, propôs o salário-mínimo de US$75. A` saída do encontro com o ministro da Fazenda, Medeiros expôs o que entendeu ser a fórmula já definida pelo governo: todos os salários do setor privado seriam obrigatoriamente convertidos em URV-- sem a liberdade que o ministro pretende assegurar aos oligopólios-- a partir da média dos valores recebidos nos últimos quatro meses, calculada pelo valor do dólar do dia do pagamento. Cardoso, porém, não confirmou a versão que Medeiros deu como definitiva. Se o salário-mínimo for convertido em URV pela média dos últimos 12 meses, o trabalhador arcará com perda de 27,93% em seu poder de compra. Cálculo do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos) mostra que de fevereiro de 1993 ao mesmo mês deste ano, o valor médio real do mínimo, já deflacionado pelo índice de custo de vida do DIEESE, é de CR$30.867,33. Em valores nominais, o trabalhador receberá CR$42.829,00 pelo trabalho em fevereiro, pago em março. "A média é um mecanismo artificial e trará perdas às categorias", disse Antônio Prado, coordenador técnico do DIEESE (JC) (FSP).