POBREZA ATINGE 17 MILHÕES DE MEXICANOS

A pobreza, tema que figura no centro do conflito entre o governo e a guerrilha zapatista, afeta pelo menos 17 milhões de mexicanos, dos quais mais de 12 milhões em áreas rurais, segundo dados oficiais e de órgãos internacionais. Um informe do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) da Organização das Nações Unidas (ONU), informa que o número de pobres rurais no México passou de 9,882 milhões em 1965 a 12,361 milhões de pessoas em 1988, sobre uma população total de 85 milhões de habitantes. O analfabetismo no México alcança 12,4%, segundo o governo, mas entre os camponeses e indígenas o número se eleva a 43%, de acordo com o Instituto Nacional Indígena (INI). Com uma População Economicamente Ativa (PEA) estimada em 36,5 milhões de pessoas (43%), 22% dos trabalhadores mexicanos se concentram no setor agropecuário e 15,9% são artesãos e operários, de acordo com o último censo oficial. Embora o índice de desemprego seja de 2,7%, ou seja, 985 mil pessoas, segundo um recente informe do Instituto Nacional de Estatística, Geografia e Informática (Inegi), a Central de Trabalhadores Mexicanos (CTM) estima que seis milhões de pessoas precisam de emprego. De acordo com o Programa Nacional de Solidariedade (Pronasol), entre 1981 e 1987, nove de cada 10 mexicanos que se somaram à população total do país passaram a engrossar o número de pobres, enquanto a miséria rural se expandiu para as áreas urbanas devido a uma migração descontrolada. Em 1990, residiam na Cidade do México quatro milhões de pessoas não nascidas na capital, como parte da população migrante interestadual, calculada em 17,4% dos mexicanos pelo censo oficial de 1992. De acordo com o último informe da Organização de Estados Americanos (OEA), a pobreza afeta 270 milhões de pessoas na América Latina e Caribe (62% da população), onde nove em cada 20 cidadãos sobrevivem em condições de pobreza crítica (JC).