ARGENTINA NEGOCIA VENDA DE GÁS NATURAL AO BRASIL

Os argentinos não vislumbram um desfecho imediato para as negociações visando às vendas de gás natural ao Brasil, que já se arrastam por oito anos. "No momento, existe somente o compromisso do governo argentino de permitir a exportação ao Brasil, um termo similar ao firmado com o Chile", afirmou o cônsul-geral da Argentina, Carlos Onis Vigil. Nem mesmo a participação da PETROBRÁS na exploração da parte das reservas de petróleo e gás natural que a estatal argentina Yacimientos Petrolíferos e Fiscales (YPF) resguardou para si, durante o processo de privatização do setor, na chamada bacia Noroeste argentina, poderá acelerar este desfecho. A PETROBRÁS tem direito a explorar 15% dos 45% que a YPF detém de uma reserva estimada em 95 milhões de barris de petróleo e de 60 milhões de metros cúbicos de gás natural. De acordo com o cônsul-geral, a tendência é esperar que o governo brasileiro viabilize primeiro as importações do gás natural da Bolívia e a construção do gasoduto que trará o combustível boliviano às cidades brasileiras. O cônsul lembra que o governo brasileiro não conseguiu solucionar ainda a obtenção de financiamentos junto a organismos financeiros internacionais para as obras do gasoduto, que terá 1,9 mil quilômetros de extensão e um custo de US$2 bilhões. "Existe uma forte resistência à participação majoritária da PETROBRÁS no projeto e uma grande pressão para que a iniciativa privada assuma o comando". O cônsul argentino acrescenta que o negócio somente seria rentável com uma exportação ao Brasil de 30 milhões de metros cúbicos diários de gás, através de um gasoduto que se estenderia da província de Salta até o Atlântico, pelo Rio Grande do Sul, com uma derivação para o Paraguai e um tronco central seguindo até São Paulo (GM).