PAIS ESPANCAM FILHOS EM NOME DA EDUCAÇÃO

As alegações são sempre as mesmas. "Bati porque ele é danado e desobediente". Os pais agressores acham que têm direito sobre a vida dos filhos e podem fazer o que quiser. Confirmam que batem, mas negam espancamentos e se atrapalham ao explicar as marcas no corpo da criança. As alegações são ridículas: fiz isso para o "bem dela". Nessa demonstração de poder, agridem 12% das crianças com menos de 14 anos-- 6,6 milhões. A cada hora, são 750 que sofrem violências em casa. As entidades que prestam assistência às crianças violentadas e suas famílias enfrentam dificuldades para continuar o trabalho. O Centro Regional de Atenção aos Maus-Tratos na Infância (Crami), por exemplo, foi criado em 1985, em Campinas (SP), por médicos, psicólogos e assistentes sociais voluntários, mas só há um ano e meio conseguiu se instalar em Santo André (SP), único posto de atendimento próximo à capital paulista. Até o momento, 160 famílias já passaram pelo programa e 16 continuam recebendo assistência psicológica. No total, são oito postos do Crami no Estado de São Paulo e um em Brasília (DF). Os voluntários dedicam algumas horas por semana para cuidar das crianças e seus pais. O Serviço de Advocacia da Criança (SAC), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), já abriu mais de seis mil processos de 1988, quando foi criado, até o dia 30 de janeiro deste ano. No início, a entidade direcionava sua atenção para os casos de maus-tratos físicos e sexuais. O atendimento foi ampliado em 1992. Passou a responder às denúncias e a cuidar também de adoção, tutela e guarda das crianças. "O SAC sofreu uma transformação e precisa ser ampliado", comenta um dos coordenadores do Serviço, Edson Passetti. Sua proposta é ampliar o SAC e transformá-lo no Centro de Referência da Criança e do Adolescente (Cerca), que continuaria com o atendimento jurídico, mas se firmaria como um centro de pesquisa no assunto (O ESP).