FERNANDO HENRIQUE CRITICA BOICOTE DE GOVERNISTAS

O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, condenou ontem as pressões de setores do governo para que sejam negociadas com o Congresso Nacional alterações de última hora na emenda que institui o Fundo Social de Emergência (FSE). "Se algum ministro trabalhar contra a aprovação do fundo no Congresso deve ter, antes, a hombridade de pedir demissão", advertiu Cardoso. Para o relator da revisão constitucional, deputado Nelson Jobim (PMDB-RS), há risco para a aprovação do fundo na votação do próximo dia 23 se as pressões de dentro do Palácio do Planalto não forem controladas pelo presidente Itamar Franco. O líder do governo no Senado Federal, Pedro Simon (PMDB-RS), está preocupado com as emendas que vinculam recursos do FSE para habitação e educação. Ele reconhece que houve pressão de dentro do governo para manutenção das vinculações. Segundo as informações, o governo deve negociar com os partidos a indicação de nomes para os Ministérios das Comunicações, das Minas e Energia e da Integração Regional para facilitar a aprovação da segunda etapa do FSE. O governo não chegou a uma conclusão sobre a conversão dos salários à Unidade Real de Valor (URV). Pelas declarações do ministro da Fazenda, a conversão deverá respeitar a exigência constitucional de que nenhum ato administrativo pode reduzir o valor nominal dos salários. Fernando Henrique Cardoso garantiu ainda que a URV não afetará as aplicações financeiras e que a Taxa Referencial de Juros (TR), o fator de correção da poupança, não será extinta. Segundo o ministro, a conversão dos aluguéis será voluntária (O ESP) (JB).