CARTA REVELA ESQUEMA DE EMPRESAS NA REVISÃO

O sofisticado plano de ação dos empresários na revisão constitucional acabou sendo remetido, por engano, a um dos principais adversários da privatização: o presidente da PETROBRÁS, Joel Mendes Rennó. O documento de 26 páginas, foi enviado com uma carta assinada pelo presidente do IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia), Jorge Gerdau Johannpeter, escolhido entre os empresários para coordenar o "lobby" na revisão. De acordo com a carta de Gerdau, para viabilizar ação conjunta dos empresários, foi criada uma "Secretaria Técnica" com funções relacionadas no documento. Cabe ao órgão de assessoria empresarial, entre outras atribuições, redigir emendas, justificativas e discursos para suporte aos parlamentares, apoio da comunicação de base do parlamentar e a atuação intensiva e coordenada sobre deputados e senadores de interesse do setor empresarial. No plano está traçada a estrutura organizacional da Secretaria, composta por um "Conselho Político" (integrado pelos presidentes das entidades empresariais) e por um "Comitê Executivo" dividido em cinco núcleos: inteligência, comunicação, operação, logística e redação. Na base, estão os chamados Grupos de Apoio Setoriais (GAS). O plano identifica, em um quadro, as posições contrárias declaradas contra os interesses empresariais. Do público alvo-- os 584 deputados e senadores--, se enquadram neste grupo os parlamentares do PT, PDT, PC do B, PSB e o PSTU. Além destes, o documento relaciona, por "problemas éticos", os deputados do PSD-- envolvidos no escândalo de venda de filiações. Restam, pelas contas dos empresários, 475 parlamentares. A Secretaria Técnica funciona no escritório de representação do IBS em Brasília (DF). É integrada por 37 entidades empresariais, como a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos) e a CNI (Confederação Nacional da Indústria) (FSP).