Amanhã, terça-feira de Carnaval de 1994, ficará como marco da impunidade. Faz um ano que o fazendeiro Darli Alves da Silva e seu filho Darci Alves Pereira-- assassinos do líder seringueiro e ecologista Chico Mendes--, fugiram pela porta da frente da penitenciária de Rio Branco. No Acre, não está prevista qualquer manifestação para lembrar a data. "Além do clima carnavalesco, infelizmente a memória do brasileiro é curta", lamenta o bispo de Rio Branco, dom Moacyr Grechi. O Conselho Nacional dos Seringueiros e o Comitê Chico Mendes estão hoje muito mais preocupados com a extração ilegal de mogno em reservas extrativistas do que com a prisão de Darli e Darci. Há meses a Polícia Federal abandonou as operações de captura dos dois, que provavelmente estão escondidos na Bolívia. "A fazenda de Darli e Darci continua em atividade no Acre. O que falta é vontade política para prendê-los", acusa dom Moacyr. Para não deixar a data passar em branco, a fuga dos assassinos de Chico Mendes será lembrada amanhã nas igrejas de Rio Branco (JB).