PRECONCEITO NA RELAÇÃO ENTRE ÍNDIOS E BRANCOS EM MANAUS

Ser índio em Manaus (AM) parece pecado. Como castigo, são discriminados, recebem menos de meio salário-mínimo e engrossam a lista de subempregos. Acabou no mercado informal com seus artesanatos. Ocupam palafitas ou favelas e, na maioria das vezes, trabalham em troca de roupas velhas ou um prato de comida. Cerca de 30 mil índios vivem em Manaus, principalmente saterés-mawés. Tucanos, muras e tarianos enfrentam a mesma situação. Para contornar as dificuldades, um verdadeiro "bloqueio branco", alguns até tentam omitir a condição indígena. Mas os traços físicos e a pele queimada do sol denunciam tudo. A idéia de que índio é preguiçoso e cheira mal é muito forte. "Não queremos mais apito, mas respeito e oportunidades para sobreviver", diz a índia Zenilda da Silva Vilaça, de 35 anos, Xingu na língua sateré. Ela tem três filhas e mora com 15 famílias em barracos de madeira no distante bairro Redenção, espécie de reduto da tribo na capital amazonense. A água é retirada de um poço e ligações clandestinas garantem iluminação no local. Há seis meses, eles ocuparam o terreno e ergueram os barracos. Tiveram que enfrentar os moradores do bairro que não queriam índios por perto. "Chegamos a nos armar com arco e flecha quando os brancos ameaçaram quebrar nossas casas", lembra Xingu. Os cerca de 100 saterés estão próximos ao bairro Santos Dumont, de classe média, o que aumenta os problemas de discriminação. Ao contrário dos yanomamis, eles entendem o português e conhecem dinheiro. Os curumins são hostilizados todas as vezes que tentam brincar com as crianças do bairro (O ESP).