O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), José Carlos Jordão da Silva, denunciou ontem que as irregularidades cometidas na política de comercialização do café pelo IBC não se restringem a um desvio de US$300 milhões, como vem sendo divulgado, atingindo cerca de US$510 milhões apenas em dezembro do ano passado. De acordo com ele, em dezembro do ano passado, o preço de registro da saca de café alcançou a US$130 a saca (isto é, o país, para efeitos de receita cambial, recebeu esse preço), mas o produto era exportado pela cotação internacional, ou seja, US$375. A diferença entre o preço de registro e o praticado efetivamente na exportação foi embolsado pelos exportadores, não ingressando no país e permanecendo em contas bancárias em instituições no exterior. Com isso, o Brasil teve um prejuízo cambial de US$510 milhões. Segundo Jordão da Silva, esse tipo de irregularidade já foi denunciado pelo CNC desde junho de 1985, em documento dirigido ao governo, mas sem sucesso (JB).