A manutenção do emprego no mercado de trabalho começa a ser foco permanente de reivindicação do movimento sindical brasileiro. Nos acordos coletivos atuais, as cláusulas ligadas à estabilidade de emprego, redução de jornada de trabalho e treinamento de mão-de-obra começam a ocupar o espaço antes ligado às melhorias das condições de trabalho. Atualmente o emprego é o problema central do movimento sindical mundial.
78071 No futuro, no Brasil, se a inflação melhorar, veremos um aumento ainda
78071 maior que antes das cláusulas coletivas que garantam melhorias nas
78071 condições de trabalho, disse o coordenador de produção técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE), Antônio Prado. A entidade divulgou ontem um relatório com a seleção 54 acordos ou convenções coletivas, que estabeleceram avanços nas negociações sociais trabalhistas desde o tema salário e remuneração até a participação dos trabalhadores nos lucros das empresas. Das 187 cláusulas selecionadas, entre janeiro de 1992 e abril de 1993, 21% trataram sobre remuneração e salários, 23% sobre relações de trabalho, incluindo a estabilidade no emprego, e 14% sobre redução na jornada de trabalho. As demais distribuíram-se entre segurança e medicina do trabalho, relações sindicais e gestão participativa. A tendência atual do movimento sindical é incluir, em suas negociações,
78071 a defesa do nível de emprego, a redução da jornada de trabalho de 44 para
78071 40 horas semanais, e o treinamento da mão-de-obra empregada, adaptando-a
78071 às novas tecnologias, disse Prado. Mas, para ele, cada vez mais se reivindicam mecanismos de solução de conflitos fora do âmbito da Justiça e a negociação prévia com o sindicato no caso de a empresa desejar terceirizar setores (GM).