A nova moeda que será criada ao final do período de transição da Unidade Real de Valor (URV), na terceira fase do programa de estabilização, deverá ser inteiramente lastreada, num primeiro momento, pelas reservas cambiais. Sua emissão dependerá da variação das reservas. Esse é o pressuposto com que está trabalhando o presidente do Banco Central, Pedro Malan. Sua intenção é manter essa rigidez pelo menor tempo possível. Numa segunda fase, a política cambial seria flexibilizada. Malan está querendo criar, em breve, uma diretoria especial do BC para cuidar das duas questões. Uma delas é exatamente o arcabouço técnico legal para operar a futura moeda. Outra, ligada à anterior, será trabalhar uma lei complementar que regulamente o princípio de maior autonomia do BC, algo que, espera-se, poderá ser aprovado na revisão constitucional. A idéia de lastrear a nova moeda em reservas cambiais é algo que faz sentido em qualquer programa de estabilização, como uma forma de garantir sua credibilidade e restringir a capacidade do órgão emissor, o BC, de miná-la. O presidente do Banco Central diz que o programa de estabilização que está sendo montado pelo governo, longe de ser uma cópia da dolarização argentina é a última tentativa de ajustar os preços sem atar de vez a política cambial. Atrelar a nova moeda diretamente ao dólar, como querem vários economistas, seria mais simples do ponto de vista da estabilização, mas esbarraria em dificuldades de várias ordens no Brasil, inclusive políticas (GM).