O presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), dom Mauro Morelli, disse ontem que o Orçamento para este ano destinado à área social será inferior, tímido e medíocre em relação ao de 1993. Ele lembrou que a proposta do governo é acabar com a fome e a miséria, e por isso, é necessário rever a dotação orçamentária. Dom Mauro convidou o ministro da Saúde, Henrique Santillo, para a reunião do CONSEA, no próximo dia 24, quando o tema será debatido. Durante o encontro, governo e sociedade estabelecerão as diretrizes dos programas considerados prioritários para acabar com a miséria no país. O presidente do CONSEA considera que em ano eleitoral é fundamental a participação dos partidos políticos com propostas concretas para acabar com a pobreza no país. Na sua opinião existem dois entraves que precisam ser solucionados para exterminar a miséria: a concentração de terras e de rendas. "Do contrário, sem uma política salarial definida, é impossível mudar o quadro de miséria do país. É preciso resgatar a dignidade humana", afirmou. Falta muito para matar a fome de mais de 32 milhões de brasileiros que vivem na mais absoluta indigência. O programa de distribuição de alimentos, lançado pelo governo em setembro para garantir a sobrevivência de 10 milhões de nordestinos, tem data para acabar: em março, quando também acabam as frentes de trabalho na região. De março em diante, o futuro de cinco milhões de crianças desnutridas torna-se ainda mais incerto: não há recursos previstos, nem programa acertado de combate à fome e à miséria. O CONSEA conta, por enquanto, com a promessa de doação, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 130 mil toneladas de trigo que serão transformadas em alimentos. Outras 500 mil toneladas são esperadas para junho. E começa a esboçar projetos para outras regiões do país. "Vamos lutar para que o Orçamento destine recursos para o programa. A inflação financeira é cruel, mas a inflação da miséria é mais dramática", afirmou dom Mauro (JC) (O Globo).