O presidente do Banco do Brasil, Alcir Calliari, autorizou ontem a reabertura das operações de crédito agrícola, suspensas no último dia três. A suspensão foi a resposta do governo ao projeto de decreto legislativo aprovado pela Câmara dos Deputados, que anula os juros de mora e a correção monetária dos financiamentos agrícolas desde 1979. Segundo o BB, o projeto acarretará um rombo de US$97 bilhões ao caixa, ou 15 vezes o valor do seu patrimônio líquido. Para o governo, o projeto quebra o BB e aniquila de vez o crédito rural no país. Calliari só decidiu reabrir o crédito rural depois que o presidente da Câmara, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), anunciou a intenção de anular a votação da sessão que aprovou o projeto, por suspeita de fraude. A denúncia da fraude partiu da própria vítima, o deputado Paulo Mandarino (PMDB-GO) que, apesar de estar ausente da votação, acabou constando como voto favorável. Suspeita-se que tenha sido utilzado um "pianista", ou seja, um parlamentar que vota por um companheiro ausente de forma fraudulenta, utilizando-se o código alheio de acesso ao painel eletrônico de votação. A Corregedoria-Geral da Câmara irá investigar o caso. Dados do BB, divulgados ontem na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, mostram que os grandes produtores rurais seriam os maiores beneficiados da anistia prevista no decreto legislativo aprovado pela Câmara. Segundo o diretor de crédito rural do BB, Sayde Miguel, 85% do volume da inadimplência do setor junto à instituição é de grandes produtores. Outros 8% do total de créditos em atraso estão concentrados entre os pequenos e apenas 1% são mini produtores. O restante da inadimplência (US$1,8 bilhão) está pulverizado entre cooperativas. Ainda de acordo com os dados do Banco do Brasil, 30% da inadimplência estão concentrados entre produtores de soja, o setor que, segundo Sayde Miguel, mais faturou nos últimos anos (JC).