METALÚRGICO OCUPA E QUER ADMINISTRAR ESTALEIRO EM NITERÓI

Os 400 trabalhadores do Estaleiro Ebin, em Niterói (RJ), entraram em greve ontem e assumiram, com o apoio do Sindicato dos Metalúrgicos do município, o controle da sede da empresa, de onde só pretendem sair quando houver solução para os problemas que enfrentam. Os trabalhadores ainda não receberam o 13o. e o salário de janeiro e receberam do diretor financeiro do Ebin, engenheiro Dark, a informação de que não há perspectiva de pagamento da folha de empregados, estimada em CR$140 milhões. Único dirigente a aparecer no estaleiro ontem, o engenheiro Dark foi impedido de entrar. "Só voltem aqui quando tiverem dinheiro para pagar os salários", disse um dos líderes do movimento. Mesmo antes de liderar a ocupação do prédio do Ebin, o Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói assumiu tarefas administrativas na empresa. Segundo o presidente Amaury Paciello, há um mês, o sindicato negociou com a empresa Setal a reforma de uma plataforma da PETROBRÁS, que colocou US$130 mil nos cofres da empresa, além de estar negociando dois outros serviços na mesma faixa de preço. "É só eles nos entregarem a empresa, que assumimos todas as dívidas", afirma o sindicalista, que acusa os dirigentes do Ebin de descapitalizarem o estaleiro para investirem em outras empresas-- o Estaleiro Só, no Rio Grande do Sul, e a empresa de navegação Nasa, no Rio de Janeiro. O Estaleiro Ebin, fundado em 1970, chegou a ter dois mil empregados, em 1985, contra os 400 atuais. A partir de amanhã, os metalúrgicos começarão a cortar sucatas de navios, para vender a peso e começar a pagar salários e pequenas despesas para manter a ocupação (O Dia).