No discurso de 10 minutos feito ontem em cadeia nacional de rádio e televisão, o ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, não fugiu do confronto com o Congresso Nacional. Embora tenha usado um tom de voz suave, apontou com rigor as contradições que, para ele, paralisaram a votação do Fundo Social de Emergência (FSE) e imobilizaram a execução do plano econômico do governo. "Parte das bancadas liberais quer a revisão constitucional mas discorda nos aspectos do modelo econômico. As bancadas progressistas concordam praticamente com o programa, mas não querem a revisão", denunciou. Na esperança de ver o FSE votado nas próximas horas, o ministro invocou a ação responsável do Congresso, e lançou um ultimato. É preciso que decida sim ou não. O pronunciamento não repercurtiu bem nos meios políticos. O líder do PFL, Luís Eduardo Magalhães (BA), que vinha trabalhando para a aprovação do Fundo, deu o tom da reação ao dizer que "o Congresso não aceitou ameaças dos militares, que dirá do Fernando Henrique". O ministro, que tem reiterado sua disposição de não usar choques ou medidas radicais, deixou uma ameaça velada caso o Congresso não aprove o FSE: "Não faltará quem busque outros caminhos e fórmulas alternativas" (JB).