FAZENDA EM GETULINA VOLTA A SER OCUPADA POR SEM-TERRA

As famílias de agricultores sem-terra desalojadas em novembro passado da Fazenda Ribeirão dos Bugres, em Getulina (SP), retornaram à área na madrugada de ontem e começaram a montar acampamento na propriedade vizinha, a Fazenda Jangada. Com aproximadamente 5,3 mil hectares, a Fazenda Jangada recebeu no ano passado visita dos técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), que consideraram a área improdutiva. O presidente Itamar Franco chegou a assinar o decreto de desapropriação da fazenda, mas os proprietários recorreram da decisão e o juiz da 21a. Vara da Justiça Federal, Sérgio Lazzarini, determinou a realização de uma nova vistoria na propriedade, feita em janeiro deste ano por um perito indicado por ele. Segundo João Baptista Anselmo, representante da comissão de negociação dos posseiros, a demora da divulgação do laudo judicial levou à decisão de reentrar na área. Desde que foram desalojadas, as famílias estavam acampadas no distrito de Macucos, em Getulina, sobrevivendo à custa de ajuda de sindicatos e entidades civis. Cerca de 2,3 mil famílias participaram da ocupação realizada ontem de madrugada, segundo Anselmo. O juiz Roberto Rainieri Simão manteve a liminar de reintegração de posse concedida ao fazendeiro Antonio Ribas em 1993 e estipulou um prazo de 24 horas para a retirada dos sem-terra. No extremo sul do Mato Grosso do Sul, a Polícia Militar do estado retirou, neste final de semana, 60 famílias de sem-terra que ocupavam desde janeiro a Fazenda Mundo Novo. O INCRA deverá realizar uma vistoria na área ainda este mês, para determinar se a propriedade é produtiva ou não (GM) (FSP).