Pouco mais de 50 pessoas-- nenhum colega de farda-- compareceram ontem ao enterro, no Rio de Janeiro (capital), do homem que livrou milhares de cariocas da morte, quando, em 1968, se recusou a obedecer uma ordem superior que determinava a explosão do gasômetro da cidade. Aos 63 anos, Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, o "Capitão Sérgio Macaco", morreu de câncer no estômago, anteontem, antes de ver realizado seu último sonho: ser promovido a brigadeiro, como foi determinado, em 1993, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Sem direito a honras militares, uma salva de palmas, a Bandeira do Brasil (cedida pelo governo do estado) e o Hino Nacional marcaram a emocionada despedida ao militar, perseguido e reformado pela ditadura como pagamento pelo ato de heroísmo. O governador Leonel Brizola e vários companheiros do PDT, partido pelo qual Sérgio fora deputado federal na década de 80, também prestaram sua homenagem. Nem o governo federal nem a Aeronáutica mandaram representantes oficiais ao sepultamento. O "Caso Para-Sar" teria sido, segundo acusações feitas pelo capitão, um plano terrorista que incluía a explosão do gasômetro, localizado ao lado da estação rodoviária da cidade, na hora do rush, e o sequestro de 40 políticos, entre eles o ex-governador Carlos Lacerda e o general Olímpio Mourão Filho, que seriam jogados ao mar de um avião DC-3. O plano, segundo o capitão, foi elaborado pelo brigadeiro João Paulo Burnier, chefe de gabinete do ministro da Aeronáutica Márcio de Souza e Melo (governo Costa e Silva), com o objetivo de culpar militantes de esquerda e justificar uma ação para eliminar "o problema comunista". Em uma reunião no dia 12 de junho de 1968, Burnier teria encarregado os pára-quedistas do Para-Sar, sob o comando do "capitão Sérgio Macaco", de realizar as missões. O capitão teria denunciado o plano. Burnier negou envolvimento (JB) (FSP).