FMI CRITICA BRASIL POR NÃO TER SEGUIDO SUA ORIENTAÇÃO

Uma equipe técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) começará a negociar, hoje, em Brasília (DF), acordo "stand by" com o governo brasileiro, com base no novo programa econômico para o país. Os economistas levam no bolso recetuário próprio, com cinco questões básicas que, segundo o diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, até aqui foram ignorados pelo Brasil. A crítica foi feita dias atrás durante reunião, a portas fechadas, com representantes da Igreja na América Latina, para discutir a situação dos países da área. No fim de semana passado, o Fundo divulgou o seu conteúdo: Argentina, Chile e México ganharam elogios de Camdessus por terem diminuído seu índice de pobreza graças a "um processo avançado de ajustes". Já Brasil, Peru e Nicarágua foram citados como países que se saíram mal porque, em vez de seguirem a receita de cinco pontos do FMI, optaram por estratégias alternativas. Ao comparar as políticas adotadas, Camdessus disse que há "um contínuo sofrimento dos pobres no Brasil, onde a indisciplina fiscal e um rápido crescimento da inflação continuaram a reinar". Segundo ele, isso acontece porque o país ainda não adotou as medidas que ele chama de ingredientes essenciais para que haja um "crescimento de alta qualidade, que serve aos nossos amplos objetivos sociais, em vez de se chocar contra eles". Segundo Michel Camdessus, o FMI chegou "a um melhor entendimento do fato de que o progresso social não é incidental ao ajusta mas, sim, deve estar no centro da estratégia". Para ele a inflação é o principal inimigo a ser vencido. "A inflação é um imposto retroativo sobre os pobres", disse, explicando que a receita do Fundo para acabar com ela tem cinco ingredientes essenciais. O primeiro é composto por sólidas políticas macroeconômicas, o que, de acordo com Camdessus, significa política monetária anti-inflacionária, estratégia fiscal sustentável e taxa de câmbio realista. O segundo inclui políticas estruturais que promovam o crescimento. O terceiro item alia comércio liberal e regime de câmbio que incentive o comércio internacional e o investimento. Políticas sociais ativas são o quarto item. Fechando a lista, está a recomendação de que o governo seja participativo, com contabilidade aberta ao público, regulamentações transparentes e limitadas ao que é estritamente necessário, para que se minimize a corrupção (O Globo).