MILITARES FAZEM O "LOBBY" MAIS ATIVO DA REVISÃO

As Forças Armadas montaram o "lobby" mais organizado e ativo da revisão constitucional. Oficiais trocaram as fardas por ternos e percorrem, em pequenos grupos, corredores e gabinetes do Congresso Nacional, tentando convencer parlamentares, sem distinção ideológica, da correção de suas proposições. A principal delas, assumida pelo deputado Adylson Motta (PPR- RS) em emenda à Constituição, retira os militares da condição de servidores públicos e os eleva à de "servidores do Estado". O objetivo imediato da proposta é resolver o problema salarial. "Uma das finalidades, evidentemente, é dar aos militares um ganho condigno", diz Motta. "A Constituição foi feita numa época revanchista, e os militares foram punidos por isso". O "lobby" dos militares não se restringe à questão salarial. Eles não aceitam, por exemplo, a criação do Ministério da Defesa. E não admitem perder a condição de garantidores da lei e da ordem, como pretende o deputado José Genoíno (PT-SP). Os defensores da redefinição do papel constitucional das Forças Armadas argumentam que a atribuição de guardiães da ordem deu aos militares o pretexto para os golpes que a história registra. Temerosos da internacionalização da Amazônia, os militares prepararam também emendas envolvendo as reservas indígenas. Eles reconhecem os direitos dos índios sobre as áreas que ocupam, mas abrem exceção para a terras de fronteira. "Os povos indígenas não possuem noção do que seja fronteira geográfica ditada pela nacionalidade ou pelos limites do Estado", alega o senador Irapuan Costa Júnior (PP-GO) (JB).