Pressionada pelas más condições de vida-- violência, corrupção, carência dos serviços públicos--, a população brasileira se volta contra a ação das entidades de defesa dos direitos humanos, cujo trabalho identifica apenas com a proteção aos bandidos. Foi o que constatou a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, em duas pesquisas realizadas pelo IBOPE. "Não ficou claro que não estávamos defendendo os bandidos, mas seus direitos", reavalia a socióloga Maria Victória Benevides, integrante da entidade. Popularizada a partir da luta contra a censura e pela preservação da vida dos presos políticos nos porões do regime militar, a política dos direitos humanos é rejeitada em todos os setores sociais e tomba como mais uma vítima da onda da violência no país. O descaso, porém, é maior entre a população de baixa renda. Numa das pesquisas constatou-se que, para a população com renda de até dois salários-mínimos, o maior desrespeito é a falta de segurança (28%). A liberdade de expressão foi citada por apenas 1% (JB).