Apesar das reclamações dos grupos de direitos humanos, o Rio de Janeiro trata melhor seus presos do que São Paulo. Mas isso custa caro ao contribuinte. Com mais do que o triplo da população carcerária do Rio, São Paulo (30 mil internos) gasta cerca de US$400 mensais para manter um detento, enquanto o Estado do Rio gasta US$100 a mais-- num total de US$502 ou 5,5 salários-mínimos por preso, a preços de dezembro passado, segundo o Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe). Pesquisa do próprio sistema constatou que um dos fatores que mais pesam no orçamento é a terceirização das refeições, que sai quase três vezes mais cara do que a comida feita dentro do presídio. Para reduzir os custos da alimentação-- que consomem mais da metade do orçamento do Desipe, de CR$4,7 bilhões-- o diretor interino Enéas Quintal de Oliveira, coronel PM reformado, destaca um plano para recuperação geral das cozinhas dos presídios, que foram sucateadas no governo Moreira Franco. Das 25 unidades do sistema penal, apenas cinco continuam a receber as quentinhas da firma Brasal, cujo contrato de licitação está previsto até dezembro deste ano. Só a alimentação diária dos 3.350 internos daquelas cinco unidades-- a terça parte da população carcerária do Rio-- fica em US$6.500.340,00 por ano. O custo de um preso fluminense corresponde também à renda média mensal de cada um dos 2.100 guardas-- quatro por preso. Em Bangu 1, prisão de segurança máxima, a taxa é de quase dois guardas para cada um dos 48 detentos. Há também mais 500 funcionários. Todo o pessoal representa uma folha de pagamento que deve chegar este ano em cerca de CR$4 bilhões. Com menos de 20% do orçamento destinado à Secretaria de Justiça-- ao qual está subordinado--, o Desipe conta ainda com verbas do Fuesp (Fundo Especial Penitenciário) cuja dotação orçamentária deste ano é de CR$475,3 milhões, para informatização, obras e reformas (JB).