PROFESSOR APÓIA PROTEÇÃO A PATENTES

Enquanto não for aprovada, pelo Congresso Nacional, a nova Lei de Propriedade Industrial-- Lei de Patentes-- e não houver estímulo para a aproximação entre as empresas e as universidades, o Brasil corre grande risco de registrar, na área da biotecnologia, a repetição do que aconteceu na área farmacêutica, na qual o capital nacional detém apenas 15% do controle das indústrias existentes no país. Assinalando não ser "pessimista, mas, sim, realista", o autor da análise, professor Antônio Paes de Carvalho, secretário-geral da Fundação Bio- Rio, cita, como contraponto à situação brasileira, o nível de controle-- 60%-- que o capital argentino mantém sobre a indústria farmacêutica existente naquele país. Destaco a importância da aproximação entre a universidade e a empresa
77969 porque o Estado perdeu a sua capacidade de investir, deixando um vácuo que
77969 deverá ser preenchido pelo capital industrial, embora ainda não saibamos
77969 quando. Para completar, o investimento em biotecnologia exige um prazo de
77969 maturação de cinco a 10 anos, considerado longo demais por quem está mais
77969 interessado em ganhar o máximo a cada hora de trabalho, afirma Paes de Carvalho. O Brasil apresenta potencial de desenvolvimento biotecnológico nas áreas de saúde humana, agricultura, alimentação e de meio ambiente-- o mais recente. Entre as três primeiras, a menos desenvolvida é a da agricultura, área que apresenta quadro semelhante em vários outros países, inclusive nos desenvolvidos. "A comunidade científica brasileira apresenta um bom nível de produção na área biotecnológica, mas precisa de incentivo para aumentar a quantidade de pessoal qualificado e para aprofundar sua relação com as empresas, pois essa integração é o fator que deverá viabilizar o desenvolvimento da biotecnologia no Brasil", diz secretário-geral da Fundação Bio-Rio (JC).