Os níveis de poluição na cidade de São Paulo, mesmo dentro dos padrões considerados aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde (OMS), estão causando um aumento na taxa de mortalidade, principalmente em crianças com menos de cinco anos e idosos com mais de 65 anos de idade. Essa é uma das conclusões de pesquisa realizada pelo Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental (LPAE), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Segundo o coordenador do LPAE, Paulo Saldivas, os níveis de poluição podem favorecer os danos à saúde entre pessoas mais suscetíveis. O pesquisador explica que a poluição não causa uma doença específica, mas a sua associação com um quadro favorável pode enfraquecer as defesas do corpo, favorecendo patologias que levam à morte. "Pessoas que apresentam quadros crônicos de saúde são como castelos de cartas; o que a poluição faz é retirar uma carta da base desse castelo, fazendo com que ele desmorone", afirma. Em média, o aumento da taxa de mortalidade na capital paulista foi de 10%, o que significa que cerca de 1.200 pessoas por ano têm morte precipitada por causa da poluição (JC).