DEPUTADO ACUSA A CUT DE OPERAR NO MERCADO PARALELO DO DÓLAR

O deputado Armando Pinheiro (SP), vice-líder da bancada do PPR na Câmara, entregou ontem à Polícia Federal, em São Paulo, duas representações que pedem a abertura de inquérito policial para apurar o suposto envolvimento da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na conversão de dólares no mercado paralelo e um depósito de Cr$39.960.000,00, em setembro de 1992 (cerca de US$11.700 em valores da época), na conta do Comitê Eleitoral Unificado do Partido dos Trabalhadores (PT), que alimentou financeiramente a campanha do senador Eduardo Suplicy à prefeitura paulistana. Pinheiro foi recebido pelo delegado João Câncio Neto, que encaminhará a representação ao superintendente da PF, Renato Surete. O deputado mostrou cópias de um cheque de US$1.932, de 27 de maio do ano passado, enviado pela Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOSL), da Bélgica, endossado pelo presidente da CUT, Jair Meneguelli e pelo tesoureiro da entidade Delubio Soares de Castro, descontado no mercado paralelo. O dinheiro foi convertido no "black" pela Castellabate Viagens e Turismo, uma agência de turismo da capital. "Não importa o tamanho do cheque. A verdade é que em vez de ser trocado no Banco Central ou num banco autorizado a operar no câmbio de moeda estrangeira, o cheque foi endossado e descontado no mercado paralelo. E isso é ilegal", sustenta o deputado, que diz ter pedido a abertura de inquérito em função da articulação do PT para protelar a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da CUT. Ele afirmou que possui ainda outros dois cheques que chegaram à CUT através de entidades internacionais-- uma delas da Alemanha-- e que também foram descontados no mercado paralelo. O deputado enviou documentos à Receita Federal, à Procuradoria-Geral da República e ao Banco Central (JB).