INDEFINIÇÃO DO AJUSTE PODE COMPROMETER ACORDO COM CREDORES

A indefinição em torno do ajuste fiscal por parte do Congresso Nacional pode comprometer o acordo da dívida externa com os bancos privados internacionais. Fica cada vez mais exíguo o prazo para que o país consiga acertar um entendimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a tempo de efetivar com os bancos o novo acordo até a data-limite de 15 de abril. O acordo com o FMI, pelas regras definidas no memorando de entendimento com os próprios bancos credores em julho de 1991, teria de ser assinado até no máximo o dia 10 de março. Este é o prazo para que a troca da dívida velha pelos novos bônus oferecidos pelo Brasil seja anunciada com pelo menos 35 dias de antecedência, conforme previsto no memorando. Sem o acordo com o FMI, o Brasil não conseguirá obter do Tesouro norte- americano a emisão especial de "zero-coupon bonds" que dará garantia ao acordo da dívida com os bancos credores privados. Diante das dificuldades quanto à aprovação do Fundo Social de Emergência (FSE), peça fundamental do ajuste, a missão negociadora do FMI, que chegaria nesta semana a Brasília (DF), adiou sua viagem para o próximo dia sete (GM).