DELEGADO PARTICIPOU DE ATENTADO A 11 SINDICALISTAS

O delegado da Polícia Civil de Pacajá (PA), Sérgio Máximo dos Santos, prestará depoimento hoje no inquérito que apura um atentado contra 11 sindicalistas e trabalhadores rurais de Novo Repartimento (PA), ocorrido em 19 de janeiro na Transamazônica. O delegado admitiu participação no crime, que deixou cinco feridos, embora alegue ter agido em legítima defesa. O inquérito foi aberto em Tucuruí por determinação da Coordenação Geral de Polícia Civil do Pará. O ministro da Justiça, Maurício Corrêa, determinou abertura de outro inquérito pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e enviou a Polícia Federal para a área. O atentado ocorreu por volta das 17h no Km 225 da Transamazônica, no trecho entre Marabá e Altamira. Os sindicalistas contam que desembarcavam um saco de mantimentos da caminhonete quando foram surpreendidos pelos quatro ocupantes de um Gol-- mais tarde identificados como policiais civis da Pacajá-- que teriam chegado abrindo fogo. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tucuruí, João Nunes, acha que o atentado está ligado ao conflito com a madeireira Abrolho Verde. A madeireira, que explora mogno na região, está impedindo o assentamento, pelo INCRA, de 1.500 famílias atingidas pela praga de mosquitos nas margens do lago da hidrelétrica de Tucuruí. Para o delegado de Tucuruí, Domingos Sávio, que preside o inquérito, trata-se de um incidente. Segundo ele, o delegado de Pacajá estaria investigando um homicídio quando mandou a caminhonete parar. O motorista teria jogado o carro na sua direção e ele teria atirado ao ver dois homens apontando espingardas (O Globo).