A contagem do número das células CD-4 e CD-8, embora seja o método mais utilizado para saber se o portador do vírus da AIDS já começou a desenvolver os primeiros sintomas da AIDS, não é o mais indicado em países com incidência do HTLV-1, da mesma família do HIV, como o Brasil, Caribe e Japão. Isso porque, enquanto o HIV provoca a diminuição dos linfócitos CD-4 e CD-8, o HTLV-1 aumenta o número desses glóbulos brancos responsáveis pela defesa imunológica", explica o infectologista Mauro Schechter, da Divisão de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo valeu ao médico carioca citação na edição de ontem do "New York Times", baseado no principal artigo publicado no "Journal of Medical American Association", publicação na qual poucos cientistas brasileiros têm suas descobertas veiculadas. Os pesquisadores Georgia Trade e Marcelo Santino dividem a autoria com Schechter. O fato de uma pessoa estar com uma baixa quantidade de linfócitos CD-4 e CD-8 no sangue torna este exame inespecífico, explica o médico, uma vez que um indivíduo pode estar infectado com os dois vírus e, dessa forma, apresentar uma quantidade alta dessas células". Desse exame depende o início dos tratamentos antivirais, como o AZT, o mais conhecido entre eles. Um exame para a contagem de células CD-4 e CD-8 custa, no Rio de Janeiro, cerca de US$120 (cerca de CR$56 mil). "Por falta de especificidade, às vezes é preciso fazer esse exame mais de uma vez", diz. De acordo com os últimos levantamentos, no Brasil, o HTLV-1 infecta 6% dos habitantes do Rio de Janeiro (RJ) e 20% dos de Salvador (BA). No Haiti, esse vírus atinge 13% da população. Isso sugere que possivelmente em populações em que há co-infecção os critérios para acompanhamento de pacientes com HIV terão que ser revisados e reestudados", recomenda Schechter. O HTLV-1 provoca leucemia ou um quadro neurológico que leva à paralisia das pernas e é transmitido como o HIV (O ESP).