Cerca de 50 refugiados políticos angolanos ocuparam a residência do cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugenio Sales, no último dia 31 à noite, trazendo à tona o drama que eles vivem no Brasil. Tropas de choque da Polícia Militar foram chamadas e só depois de muita negociação, à 1h da madrugada de ontem, os refugiados concordaram em deixar a residência do cardeal, o Palácio São Joaquim, no Rio de Janeiro (capital). Por fax, dom Eugenio informou ontem aos Ministérios da Justiça e das Relações Exteriores sobre o movimento dos angolanos, que ameaçam novo protesto hoje diante da Arquidiocese. Eles exigem o aumento na ajuda entre um e dois salários-mínimos que recebem do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados Políticos, o ACNUR. Além de acionar a Polícia Federal, para evitar novos tumultos hoje, o Ministério da Justiça enviou ao Rio o diretor do Departamento de Estrangeiros, Francisco Guimarães. Vítimas da guerra civil que devasta o seu país, os refugiados angolanos no Rio totalizam mais de 120 pessoas, que vivem em precárias condições em apartamentos alugados pelo ACNUR (JB).