Um acordo entre a Comissão de Investigação dos Trabalhos das Carvoarias e Destilarias de Mato Grosso do Sul e 10 usineiros da região acaba de produzir o mais inusitado fato da estrutura rural do país: a partir deste mês, cinco mil índios terenas, que trabalhavam como cortadores de cana- de-açúcar, conquistaram direitos trabalhistas e terão carteira assinada pelos usineiros. O padre Alfeu Brandel, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), disse que o polêmico pacto é um marco histórico nas relações de trabalho envolvendo índios. "O acordo elimina dois tipos de intermediário de mão-de-obra indígena: o cabeçante (um índio que arregimenta trabalhadores nas aldeias) e a FUNAI (Fundação Nacional do Índio)", afirma o padre. O cabeçante ganhava 12% do salário do índio-trabalhador e a FUNAI, segundo
77884 ele, ficava com outros 3% a pretexto de levar às aldeias melhorias que
77884 nunca apareciam.
77884 Por incrível que pareça, os usineiros foram os que mais contribuíram para
77884 que os índios tivessem carteira assinada. Eles disseram que já estavam pagando mesmo pelo trabalho e que a eliminação da FUNAI e do cabeçante nas contratações era problema nosso", contou o padre Alfeu Brandel. "Se o índio por votar por que não ter carteira assinada?", pergunta (JB).