Um minucioso retrato da sociedade brasileira, pela ótica do Departamento de Estado dos EUA, foi entregue ontem ao Congresso norte-americano. O perfil é pouco lisonjeiro. Mostra uma nação Infeccionada por uma das inflações mais altas do mundo" e com "grandes disparidades na distribuição de renda". Informa que 32 milhões de brasileiros comem menos que o necessário e que "os 20% mais pobres da população compartilham apenas 2% da renda nacional, enquanto os 20% mais ricos têm um faturamento 26 vezes o dos mais pobres". Dos 60 milhões de crianças e adolescentes do Brasil, continua o informe, 53% são da famílias cuja renda per capita mensal é menos da metade do salário-mínimo. E o salário-mínimo equivale a "menos de um quinto do necessário para manter uma família média de quatro pessoas". Como se nada disso bastasse, a polícia participa dos esquadrões da morte. Execuções extrajudiciais continuam a ser o principal problema de direitos
77882 humanos no Brasil. Os assassinatos de suspeitos de algum crime e de menores
77882 por grupos, que frequentemente incluem policiais, costumam permanecer impunes", diz outro trecho do Informe de Direitos Humanos". O documento afirma ainda que só em Alagoas a polícia foi responsável por 80% dos 600 assassinatos cometidos em 1992. O pacote contém outros exemplos de degradação. Denuncia que 500 mil menores trabalham como prostitutas no país, que homossexuais continuam sendo exterminados, e que a existência de trabalho forçado nas áreas rurais é uma constante: ano passado foram descobertos 16.442 casos de trabalho escravo, contra 4.883 entre 1991 e 1992. O informe serve como um guia para o Congresso norte-americano. A ele recorrerão os parlamentares sempre que forem chamados a decidir alguma providência do governo dos EUA que diga respeito às suas relações bilaterais com o Brasil. No relatório, o Brasil aparece como uma nação onde "há alta incidência de abusos contra mulheres", onde existe discriminação "com base no sexo, na raça e na religião" e onde os direitos dos índios são desrespeitados (O Globo).