FALTA VERBA PARA COMPRA DE REMÉDIO ANTI-AIDS

O Programa de Combate à AIDS do Ministério da Saúde está sem recursos para a aquisição de medicamentos essenciais, como o AZT, para as vítimas da AIDS em todo o país. A demora na análise da proposta orçamentária de 1994 pelo Congresso Nacional impede o andamento da licitação iniciada no ano passado para abastecer a rede pública de saúde, de acordo com a coordenadora do Programa, Lair Guerra de Macedo. Só para a compra de remédios contra os 14 tipos de Doenças Sexualmente Transmissíveis (não incluindo a AIDS), o governo terá de desembolsar este ano US$30 milhões. Considerado uma das melhores propostas do mundo para o combate à AIDS, o programa brasileiro espera a votação do Orçamento para pôr em prática centenas de projetos a serem executados nos próximos quatro anos com financiamento do Banco Mundial (BIRD), US$250 milhões. O Ministério da Saúde vai começar a distribuir, em abril, manuais com instruções sobre como usar camisinha. Pesquisa recente mostra que é baixo o percentual de homens que sabem usar corretamente os preservativos. O manual de bolso será distribuído para estados, municípios, hospitais, clínicas e organismos não-governamentais. Ele mostrará, por meio de ilustrações, como colocar, usar, retirar e jogar fora o preservativo. Mostrará, ainda, como o consumidor deve estar atento na hora da compra da camisinha. O último boletim sobre AIDS do Ministério da Saúde, divulgado ontem, mostra que, em dezembro, foram constatados 810 novos casos da doença no país. De novembro para dezembro, o número de casos no Rio de Janeiro aumentou 9,3%, passando de 218 para 238 novos registros. Com isso, em dezembro, o Rio superou São Paulo, que teve 179 casos registrados. De 1980 a 1993, já foram registrados 45.859 casos da doença. A região Sudeste registrou 66,2% do total de casos de AIDS em dezembro. O Rio de Janeiro saltou de 20,1% para 29,4% do total. São Paulo caiu de 48,5% para 22,1% (O ESP) (O Globo).