Anualmente, o Brasil paga ao Banco Mundial (BIRD) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) US$1,7 bilhão a mais do que recebe em desembolso de projetos de financiamento em andamento. São recursos correspondentes a amortização de dívidas, juros e taxas de comprometimento. A falta de recursos para a contrapartida e problemas gerenciais atrasa a execução dos projetos e praticamente dobra o custo financeiro desses empréstimos ao país. Essa foi a constatação de um levantamento feito pela Secretaria de Assuntos Internacionais (Seain) do Ministério do Planejamento. Atualmente, há um total de 77 projetos financiados por aqueles organismos em andamento no país. O valor total dos projetos chega a US$22 bilhões, sendo US$10 bilhões de recursos externos e US$12 bilhões de contrapartida brasileira. Ao pesquisar o andamento desses financiamentos, a Seain chegou a um quadro dramático, como define o secretário Mauro Marcondes Rodrigues. Os desembolsos deveriam ser da ordem de US$2,3 bilhões por ano, o que significaria US$5 bilhões em investimentos, se somada a contrapartida interna. No entanto, os desembolsos não passam dos US$900 milhões anuais, com investimentos totais de US$2 bilhões. Isso ocorre porque o prazo médio de duração desses projetos deveria ser de 4,3 anos, mas na realidade eles levam, em média, 11 anos para serem concluídos. Em consequ"ência, o custo financeiro, que deveria ser de 7% do valor financiado, sobe para 14% a 15%. Hoje, esses recursos acabam saindo caros para o país, disse Rodrigues. Ele esclarece que há casos em que o atraso da execução fez com que o valor pago em juros e amortizações fosse maior que o desembolsado (GM).