Os governos federal e estaduais não podem mais ficar indiferentes ao assassinato de quatro crianças por dia no Brasil. As autoridades têm responsabilidade sobre este extermínio, principalmente porque na maioria dos casos a autoria é da própria polícia ou de esquadrões da morte, muitos integrados por policiais fora de serviço. Essa é a principal recomendação do relatório da Americas Watch, organização internacional que cuida e fiscaliza o respeito aos direitos humanos no mundo. A entidade constatou que no Brasil 90% dos homicídios praticados contra crianças ficam impunes. Só no Rio de Janeiro foram assassinados 424 menores em 1992. No primeiro semestre do ano passado, foram 198 mortes, um aumento de 70%, segundo o Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo), que organizou a vinda dos pesquisadores da Americas Watch ao Brasil. O relatório diz também que "ficou claro também que a maioria das crianças assassinadas não são menores de rua, membros de gangues ou criminosos. São adolescentes pobres e negros". Os dados da pesquisa indicam o assassinato com violência de 5.644 crianças de cinco a 17 anos entre 1988 e 1991 no país. Para os pesquisadores da Americas Watch, a impunidade dos culpados vai continuar enquanto o governo federal não se empenhar na apuração dos homicídios (JB).