A prisão de nove militantes de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), todos membros do Partido Socialista Brasileiro (PSB), pôs em pé de guerra a região de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Detidos no dia 29 de dezembro, os militantes são acusados de traficar entorpecentes. O delegado local disse ter encontrado os psicotrópicos Diazepan e Psicodin na sede do Movimento Sem-Terra (MST). Segundo ele, os remédios eram repassados, sem receita, a moradores da cidade. A Igreja e os membros do movimento consideram a prisão política e têm promovido seguidos protestos contra a detenção. Foi reinstaurada a perseguição política no Brasil. Está claro que essa
77848 é uma prisão injusta que tem por objetivo mover uma campanha contra os
77848 movimentos organizados no Brasil, afirmou o padre Guilherme Reinhard, coordenador da Pastoral da Moradia da Arquidiocese de São Paulo. Por terem sido presos em grupo, durante uma reunião, os militantes são acusados também de formação de quadrilha. O pano de fundo da prisão é o movimento de ocupação de terras na região, onde há 300 assentamentos urbanos irregulares. A luta pela posse da terra registra lances que remetem aos embates entre posseiros e pistoleiros em regiões como o Bico do Papagaio, entre Tocantins e Pará. Em 1988, o vice-coordenador do Movimento Sem-Terra da região, Benivaldo Conceição, foi morto a pauladas em um bairro da cidade. Até hoje o crime não está esclarecido. Recentemente, um grupo de homens encapuzados invadiu o chamado "casarão", sede do movimento, destruindo móveis e papéis. O atentado foi atribuído aos donos de terra da região. No dia 1o. de dezembro, o MST comandou um protesto contra os 19 vereadores que, no mês anterior, foram com dinheiro público participar de um congresso em Ilhéus (BA). O ato terminou em pancadaria e prisões (O Globo).