DIRETOR DO BIRD ACHA QUE FALTA LIDERANÇA NO BRASIL

O diretor-executivo do Banco Mundial (BIRD), o sueco Sven Sandstrom, queixou-se ontem, em Davos (Suíça), da falta "de uma forte liderança" no Brasil para levar adiante as reformas econômicas. Mas disse que se o Brasil se empenhar de fato num programa de reforma, poderá contar com ajuda financeira do banco. "A bola agora está no campo do Brasil. Temos esperança de que o país chegará a um acordo interno sobre as reformas. Sabemos que o Brasil trabalha duro para isso e estamos preparados para ajudar", afirmou. "Um progrma eficaz de reforma econômica requer estabilidade política. Uma liderança forte é necessária, mas isto ainda falta no Brasil", completou. O diretor do BIRD disse ainda que o banco está preocupado com a disparidade na distribuição de renda e com a pobreza no Brasil. "É preciso que o Brasil enfrente esta questão. O alto índice de inflação agrava ainda mais a situação dos pobres. Em outros países da América Latina, a situação melhorou porque eles conseguiram reduzir o déficit orçamentário e a inflação", disse. Ele insistiu que todo programa de estabilização econômica requer um sistema de segurança social. Segundo Sven Sandstrom, isto tem que ser pensado desde o início da reforma e não pode ser acrescentado depois. Para Sandstrom, o Brasil tem demonstrado preocupação com o setor de educação, ao mesmo tempo que boa parte da atenção do BIRD tem sido dispensada neste campo e para a política de desenvolvimento sustentado (sem destruição ambiental). O volume de empréstimos do BIRD para o Brasil está em torno de US$700 milhões por ano, "mas o Brasil poderia obter muito mais", disse ele (O Globo).