O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, disse que a Unidade Real de Valor (URV) deve ser implantada em 1o. de março. O processo de adesão ao novo indexador será voluntário. Quando a URV se transformar em moeda, prevista para junho com o nome de "real", o governo editará medida provisória determinando critérios para a conversão de preços, salários, aluguéis e demais contratos. Para viabilizar a URV, o governo se diz disposto a controlar os preços de setores que considera oligopolizados, como o farmacêutico e o de alimentação. A equipe econômica já definiu que a TR (Taxa de Referência) não será extinta. O ministro da Fazenda admitiu dispor de medidas para evitar que a inflação suba após a criação do novo indexador da economia, a URV. Cardoso, porém, disse que não revela a sua estratégia: "Tenho as medidas, mas por que ficar cogitando que a inflação irá para cima?". Acordo fechado entre o ministro da Fazenda, o relator da revisão constitucional, deputado Nélson Jobim (PMDB-RS), e o sub-relator, deputado Gustavo Krause, garantiu a votação em seperado do Fundo Social de Emergência, provavelmente no próximo dia três. O Fundo incluirá a cobrança do PIS (Programa de Integração Social) dos bancos, o que renderá ao governo um adicional de US$1,2 bilhão por ano. A medida compensará com folga a perda de US$410 milhões com a derrubada do aumento de impostos das empresas e da taxa de fiscalização dos bancos. As taxas de juros reais (acima da inflação) no "over" atingiram 2,65% em janeiro. Este foi o ganho dos títulos públicos em relação à inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), de 39,07%, divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ao ano, os juros do over correspondem a 36,87%, os mais altos desde o início do governo Itamar Franco, que vem mantendo estes patamares para conter o consumo e evitar o investimento especulativo (FSP) (O ESP) (JB) (O Globo).