O governo argentino está extremamente preocupado com a possibilidade de uma escalada inflacionária no Brasil num momento em que o MERCOSUL entra em sua etapa decisiva. A formação de uma união aduaneira (com tarifa externa comum), marcada para iniciar em 1o. de janeiro de 1995, exige coordenação de políticas macroeconômicas e os dois países têm uma divergência total em matéria de política fiscal. Fontes argentinas, que consideram "bom" o plano de estabilização econômica do governo Itamar Franco, revelaram sua preocupação com a falta de apoio do Congresso Nacional ao ministro da Economia, Fernando Henrique Cardoso. Depois de negada a aprovação da Medida Provisória 407, que aumentava o imposto de renda das pessoas jurídicas, uma peça importante do ajuste fiscal, a expectativa agora se volta para o rumo que terá a criação do fundo social de emergência, cuja votação é prevista para esta semana. Uma equipe de economistas argentinos planejava, em caso de sucesso do plano, vir ao Brasil nos próximos dias para discutir os rumos da economia brasileira com assessores do ministro da Fazenda. Sairia daqui com bons elementos para difundir junto ao empresariado argentino. A idéia não prosperou e as incertezas sobre a situação econômica do principal sócio do MERCOSUL já não se relacionam apenas com o destino do plano de estabilização. O governo argentino também está preocupado com a sucessão presidencial. O principal obstáculo, hoje, é a instabilidade econômica do Brasil. A
77829 instabilidade econômica introduziu uma grande incerteza política acerca
77829 do futuro, comentou uma fonte de Buenos Aires (GM).